quinta-feira, 7 de junho de 2007

Romântico e Realista


por Robson Melo

O que é ser romântico?

A pergunta nos levaria, de imediato, a responder fazendo referência ao amor exacerbado, a alguém apaixonado capaz de tudo pela pessoa amada, às histórias de novela com final feliz, enfim, como o romântico e o romantismo são popularmente definidos. Em partes, pode ser dada uma certa razão à essa definição, já que algumas características do romântico sob essa visão assemelham-se às características dos poetas românticos, principalmente no Ultra-romantismo, em que o poeta alcança sua plenitude.
O grande equívoco consiste no fato de essa definição ser relacionada, geralmente, ao amor, como se o romântico fosse necessariamente um eterno homem apaixonado, talvez confundido em conseqüência de o “ser romântico” ter a capacidade de sensibilizar. Eis aí a resposta para o nosso questionamento: essa capacidade de sensibilização decorre do individualismo, do egocentrismo, do sentimentalismo, etc, característico dos ultra-românticos. Nesse âmbito, a emoção é a base que sustenta todas as outras características. O romântico deixa-se levar por ela e entra em um mundo regido pelas regras da imaginação, fugindo da realidade e dando vazão aos sentimentos do seu “eu”.
Desse modo, dizer que ser romântico é ser um apaixonado, seria uma visão superficial, pois ele pode ser também um pessimista, um introspectivo, alguém que canta as belezas de sua terra, sem necessariamente demonstrar amor a uma pessoa.
Há muito o que se buscar para defini-lo, mas há como identificá-lo se procurá-lo no próprio ego.

O que é ser Realista?

Contrapondo-se ao primeiro questionamento – que busca desvendar o que seria um romântico –, a visão do eu-lírico agora vem de maneira objetiva. Ao contrário do que se encontra no Romantismo, a linguagem dos realistas nega o subjetivismo e trata da vida e do cotidiano sob uma visão exata.
Se “ser romântico” é dar vazão aos sentimentos se valendo da imaginação, sendo levado antes de tudo, pela emoção, ser realista é a negação do espiritual, que é irreal por estar destituído do sentido que realmente existe. O poeta realista busca uma visão racional do mundo, o “não-eu”, se preocupando, dessa forma, mais com o que está fora de si, um objeto perceptível e concreto. Ele vai ser um aliado da ciência, mas opõe-se às preocupações teológicas e metafísicas, que as considera subjetivas. Desse modo, o que se pode encontrar na poesia realista são aspectos que refletem a sociedade ou simplesmente o ser humano fielmente, seja no plano físico ou psicológico.
Portanto, ser realista é ser capaz de detectar, com o máximo de objetividade, o que nos cerca, identificando virtudes e defeitos, reconhecendo méritos e erros.

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